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            <title>Feed: Os alemães e sua relação com o consumo – Uma nova forma de olhar as coisas</title>
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            <description>Conteúdo completo do post</description>
            <lastBuildDate>Fri, 12 Jun 2020 07:39:06 +0000</lastBuildDate>
            <language>pt-BR</language>


            <item>
                <title>Os alemães e sua relação com o consumo – Uma nova forma de olhar as coisas</title>
                <link>https://www.viajaredemais.com.br/europa/alemanha/os-alemaes-e-sua-relacao-com-o-consumo-uma-nova-forma-de-olhar-as-coisas/</link>
                <pubDate>Sun, 04 Jun 2017 22:58:29 +0000</pubDate>
                <dc:creator><![CDATA[Augusto]]></dc:creator>
                <description><![CDATA[Um dos grandes prazeres de uma viagem está em observar e aprender com o outro. “O destino de alguém não é nunca um lugar, mas uma nova forma de olhar as coisas”, disse uma vez o escritor norte-americano Henry Miller. Na última viagem que fiz para a Alemanha, considerei uma cena emblemática: um sujeito bem [&hellip;]]]></description>
                <content:encoded><![CDATA[
<p>Um dos grandes prazeres de uma viagem está em observar e aprender com o outro. “O destino de alguém não é nunca um lugar, mas uma nova forma de olhar as coisas”, disse uma vez o escritor norte-americano Henry Miller.</p>



<p>Na última viagem que fiz para a Alemanha, considerei uma cena emblemática: um sujeito bem vestido, terno e grava, aparentando seus 30 e poucos anos, entrando em um supermercado com uma bolsa de tecido repleta de garrafas pet vazias e pacientemente as inserindo em uma máquina, uma a uma, em troca de alguns centavos.</p>



<p>Algo de “errado” na cena? Evidentemente que não. Para os demais alemães presentes no supermercado, era uma cena comum. Para mim, como brasileiro, o primeiro pensamento foi que dificilmente poderia presenciar algo do tipo no Brasil.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Realidade diferente da nossa</h2>



<p>No Brasil, o ato de economizar quase sempre é associado a um momento temporário de escassez de recursos ou a um objetivo de consumo específico. Final do mês, faltou dinheiro? Economiza. A pasta de dentes está no fim e não tem outra? Economiza. Foi demitido? Hora de rever os gastos. Quer viajar no fim do ano? Junta dinheiro para gastar tudo na viagem.</p>



<p>Fora desses cenários, a pessoa que para pra pensar antes de fazer um gasto costuma ser rotulada como “mão de vaca”, “muquirana” ou “sovina” – termos pejorativos associados ao sujeito que não “gosta” de gastar dinheiro.</p>



<p>Quem racionaliza os impactos de seus gastos muitas vezes é colocado na mesma categoria de um sujeito que não gasta com nada. O modelo vigente é: Se tenho dinheiro, compro; se não tenho, não compro – ou até compro, mas parcelado a perder de vista.</p><div class='code-block code-block-1' style='margin: 8px auto; text-align: center; display: block; clear: both;'>
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<h2 class="wp-block-heading">Os alemães e sua relação com o consumo – um aspecto cultural</h2>



<p>Na Alemanha, o “modo de viver” econômico é uma característica cultural do povo alemão, e está totalmente dissociado do quanto você tem (ou não tem) de dinheiro – simplesmente são conceitos distintos.</p>



<p>Ter dinheiro suficiente para comprar algo não significa que você vá de fato comprar sem antes analisar uma série de fatores: isso vale o quanto estão me cobrando? Quanto eu preciso realmente disso?</p>



<p>Costuma-se atribuir essa cultura ao período de grande escassez de recursos vivido pelo povo alemão ao longo das duas grandes Guerras Mundiais.</p>



<p>Independente das razões, fato é que a maior parte dos alemães tem incutido em seu modelo mental o hábito de ser econômico e analisar seus gastos e hábitos de consumo. Uma ótima forma de ilustrar isso é voltar ao exemplo do supermercado para analisar alguns hábitos e comportamentos dos alemães.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Receber troco em balas? Nos supermercados da Alemanha, isso simplesmente não existe!</h2>



<p>Lembra do sujeito de terno devolvendo garrafas em uma máquina? O nome dessas máquinas é “<em>Pfandautomat</em>“, e a função delas é justamente receber embalagens (pet ou vidro) vazias. O nome é por conta do “<em>Pfand</em>“, um valor cobrado pelas embalagens no ato da compra e que pode ser recebido de volta quando a pessoa se dá ao trabalho de devolver essas embalagens em uma “<em>Pfandautomat</em>“.</p>



<p>E aqueles centavos de troco que aqui no Brasil a gente acaba deixando pra lá ou recebendo em balas? Nos supermercados da Alemanha isso simplesmente não existe. Se a pessoa tem direito a um troco de 1 centavo, vai receber sua moeda sem precisar brigar por isso. Para o alemão, cada centavo que seja seu por direito é importante.</p>



<h2 class="wp-block-heading">É raro encontrar um alemão fazendo compras sem a sua ecobag</h2>



<p>Outro hábito interessante que observei por lá é que no Brasil ainda estamos engatinhando: o uso de ecobags, aquelas sacolas de tecido que podem ser reutilizadas. É raro encontrar um alemão fazendo compras sem a sua ecobag ou sem um carrinho de compras para minimizar o uso das sacolinhas de plástico – que são cobradas à parte.</p>



<p>No Brasil, esse modelo já foi implementado em muitas redes de supermercados, mas a maior parte das pessoas continua preferindo pagar pelas sacolas de plástico do que levar a sua própria de casa.</p>



<p>Nessa cultura do “ser econômico”, o dinheiro é somente uma das pontas. Direta e indiretamente, todo o modelo de consumo e de aproveitamento dos recursos é impactado por essa característica. Não por acaso, a Alemanha é pioneira em diversas iniciativas de políticas sustentáveis.</p><div class='code-block code-block-1' style='margin: 8px auto; text-align: center; display: block; clear: both;'>
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<h2 class="wp-block-heading">A Alemanha recicla 65% dos resíduos produzidos</h2>



<p>Para começar, o país possui uma legislação específica para tratar da maneira como os alemães devem separar seu lixo doméstico para descarte, separando os produtos recicláveis em categorias. Se alguém é pego descumprindo a regra, a multa é pesada. Isso explica a Alemanha ser o país que mais recicla em todo o mundo, atingindo incríveis 65% dos resíduos produzidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">&nbsp;“The Good Food” &nbsp;ao invés de jogar alimentos no lixo e supermercado sem embalagens</h2>



<p>Em Colônia, na Alemanha, a loja “The Good Food” é especializada em vender alimentos que iriam para o lixo por serem “feios” ou por estarem próximos a data de vencimento (ou até recentemente vencidos). Em alguns casos, o preço do produto é definido pelo comprador, que paga o quanto acha que vale.</p>



<p>O Original Unverpackt, em Berlim, foi o primeiro supermercado do mundo com a proposta de não gerar resíduos. Os produtos são vendidos a granel e não fazem uso das embalagens tradicionais – o cliente é quem leva de casa seus potes e sacolas para acomodar suas compras.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O “Sperrmüll”</h2>



<p>Há ainda um “evento” dedicado ao reaproveitamento de produtos descartados por outras pessoas, o “<em>Sperrmüll</em>“:</p>



<p>Em diversas datas definidas ao longo do ano, o alemão pega tudo que não quer mais – móveis, sofás, colchões e afins – e coloca do lado de fora da casa.</p>



<p>Outras pessoas simplesmente passam e pegam aquilo que precisam para suas casas – e não são moradores de rua ou mendigos, são pessoas com dinheiro que optam por uma solução mais sustentável. O que não é reaproveitado por outras pessoas é recolhido pela administração municipal e levado para centros de reciclagem.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Uma nova forma de olhar as coisas</h2>



<p>Cuidar do seu lixo; comprar produtos que estão pra vencer; levar seus próprios potes e sacolas para as compras; vasculhar naquilo que o outro descartou a procura de algo que sirva para você. Hábitos que no Brasil olharíamos com profundo preconceito, mas que fazem parte do dia-a-dia dos cidadãos de uma das maiores e mais ricas potências do mundo.</p>



<p>Talvez seja mais do que hora de buscarmos essa “nova forma de olhar as coisas”. Se tem algo que podemos aprender com os alemães é esse modo de consumir mais consciente, baseado em uma gestão mais responsável dos recursos.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<h2 class="wp-block-heading">Já reservou seu hotel na Alemanha?</h2>



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<h2 class="wp-block-heading">Mais atividades na Alemanha</h2>



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<h2 class="wp-block-heading">E não esqueça de garantir seu seguro viagem</h2>



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