Bate e volta a Valparaiso e Viña del Mar

Valparaíso e Viña del Mar em 1 dia: bate-volta a partir de Santiago

Quando o destino é o Chile, a dobradinha Valparaíso e Viña del Mar frequentemente povoa o imaginário do viajante. Seja pela importância histórica das cidades, pela estreita relação de Valparaíso com o poeta chileno Pablo Neruda, pela possibilidade de molhar os pés no mar do pacífico em Viña, fato é que os dois destinos dificilmente ficam de fora de um roteiro pelo Chile – especialmente quando se trata da primeira viagem para o país andino.

Uma das muitas dúvidas de quem viaja para o Chile é sobre o número de dias necessário para conhecer as duas cidades. Vale a pena conhecer Valparaíso e Viña del Mar em um só dia, no esquema “bate e volta” a partir de Santiago? Também tínhamos essa dúvida e mesmo após pesquisar em revistas e blogs de viagens, foi bem difícil tomar a decisão. A escolha foi por fazer as duas cidades em um mesmo dia – sem pernoitar por lá – e a ideia é relatar a nossa experiência, os prós e contras, para ajudar a quem porventura estiver com a mesma dúvida.

Início com tudo pra dar errado

Nossa viagem ao Chile pegou o período final de outubro e a primeira semana de novembro. Chegamos em uma sexta, dia 29.10, e pretendíamos fazer esse bate e volta no sábado ou no domingo. Acordamos no sábado com tempo chuvoso, a previsão para domingo também era de tempo chuvoso, melhorando a partir de segunda. Porém, apesar de termos pesquisado muito, não tinha ficado claro que, ao contrário do Brasil (onde o feriado de novembro acontece no dia 02.11) lá no Chile é feriado no dia 01.11 (Dia de Todos os Santos) e TAMBÉM no dia 31.10 (Halloween). Feriado mesmo, de ficar tudo fechado, e só abrir shopping e restaurante. No nosso caso, esses dias caíram na segunda e na terça, ou seja, era um feriadão nacional no Chile. E nessa época do ano já é bastante quente por lá, a neve já quase não dá o ar da graça, então adivinha pra onde vai a galera de Santiago? Exatamente, pra Valparaíso e Viña del Mar.

Existem 3 formas principais de fazer esse bate e volta de Valparaíso e Viña del Mar em 1 dia: carro alugado, excursão ou ônibus. No nosso caso, carro alugado estava fora de cogitação. Por ser um feriadão, não precisa dizer que contratar uma excursão particular em cima da hora estava custando os olhos da cara. Junte-se a isso o fato da Pullman e da Turbus, empresas de ônibus que fazem o trajeto “Santiago – Viña del Mar” só venderem os bilhetes no próprio dia da viagem, e você tem um cenário de incerteza total. Com tudo isso, escolhemos a terça-feira como o dia “menos pior”, acordamos cedo e fomos confiantes para o terminal Alameda, uma das rodoviárias de Santiago.

Chegando lá fomos abordados por representantes de empresas de turismo oferecendo passagens de ônibus para Valparaíso e Viña por absurdos 25000 pesos por pessoa (o preço normal do ônibus seria cerca de 3000 pesos por pessoa). Nos disseram também que as passagens estavam esgotadas – o que de fato confirmamos ao chegar no guichê da Turbus. Já estávamos quase desistindo quando outra representante da mesma empresa de turismo nos abordou novamente e ofereceu o mesmo “pacote” por 20 mil. Aí foi momento de usar a malandragem carioca e dizer que “a outra vendedora já tinha me oferecido por esse mesmo preço e eu não tinha aceitado”. Foi a deixa pra ela baixar ainda mais os preços e nos oferecer por 15 mil pesos (repare bem, deixamos de gastar 10 mil pesos por pessoa em questão de 5 minutos). Bom, como a escolha era “pagar os 15 mil” ou “nunca mais conhecer Valparaíso e Viña del Mar”, topamos entrar nesse prenúncio de roubada.

Ah, além das passagens de ida e de volta, no valor cobrado pela empresa estava incluído um tour padrão: “Valparaíso e Viña del Mar em 1 dia”. Eu que já não gosto dessas turistadas e prefiro passear por conta própria ficava cada vez mais preocupado. Resumindo, pagamos os tais 30 mil pesos em dinheiro vivo e nos conseguiram as passagens de ida (as de volta a gente receberia na chegada a Valparaíso). Mais um motivo pra ficar desconfiados, mas ok.

Logo que sentamos no ônibus, resolvi ter a brilhante ideia de pesquisar na internet sobre a empresa de turismo que havíamos acabado de contratar, a “Rod Tour”. Não achei o site oficial (como não achei agora escrevendo o post), e só achei referências, digamos, horrorosas. Nada exatamente sobre o mesmo trecho que faríamos, mas críticas a qualidade das vans da empresa, aos motoristas, ao restaurante que indicaram, ao roteiro definido, enfim, a quase tudo. Nossa expectativa foi pra níveis abaixo de zero, e resolvemos aproveitar a paisagem da estrada e ficar preparados para o pior.

Detalhes da estrada para Valparaíso e Viña
Detalhes da estrada para Valparaíso e Viña

Claro que toda essa tensão só aconteceu porque nessa viagem não fizemos algo que sempre recomendamos: contratar os serviços online, pela internet, com antecedência. Por exemplo, no site da Get Your Guide é possível contratar o passeio de 1 dia em Valparaíso e Viña del Mar e evitar todo esse stress – gastando até menos. Fica a dica! 🙂

Chegada a Valparaíso

Depois de 1h50 de ônibus por uma estrada bem bonita, repleta de vinícolas ao longo do caminho, chegamos a rodoviária de Valparaíso. Rodoviárias em geral não são costumam ser ambientes muito agradáveis, mas a de Valparaíso é especialmente feia e mal cuidada (assim como as ruas do entorno). A primeira impressão será bem negativa, mas tente relevar um pouco.

Nesse momento estávamos mais preocupados em achar alguém da Rod Tour e conseguir as passagens de volta pra não ter que passar a noite dormindo na rodoviária. Nesse momento as coisas começaram a dar uma leve melhorada: foi fácil localizar o guichê da Rod Tour, e uma funcionária nos atendeu bem e conseguiu os bilhetes de volta conforme o combinado.

Na sequência, um outro funcionário nos conduziu até o lado de fora da rodoviária, onde uma van da Rod Tour estava nos esperando. Para quem esperava uma van toda detonada, encontramos tudo bem direitinho. A van nos levou diretamente até o Cerro Alegre, um dos mais próximos da La Sebastiana (o museu/casa de Pablo Neruda), e de lá seguiríamos em um ônibus da empresa de turismo. No trajeto, a má impressão dos arredores da rodoviária vão desaparecendo, e as casinhas coloridas e a arte de rua das ladeiras íngremes da cidade chilena vão tornando a experiência bem mais interessante.

Vista da cidade de Valparaíso no Cerro
Vista da cidade de Valparaíso no Cerro

A parada ali dura pouco tempo, somente para admirar a bela vista, tirar algumas fotos e seguir para La Sebastiana, próximo passo do passeio.

La Sebastiana – Museo de Pablo Neruda

La Sebastiana é uma das 3 casas/museus do poeta e escritor chileno Pablo Neruda (as outras são “La Chascona”, em Santiago, e “Isla Negra”, em El Quisco). Ao contrário da maioria dos museus chilenos, que são administrados pelo Estado, as casas de Neruda são administradas por uma fundação privada (e talvez por isso sejam os mais caros do país, com entrada na faixa dos 7000 pesos ou R$40 por pessoa). O museu funciona de terça à domingo (fecha às segundas). A visita em si é curta e pode ser feita em menos de meia hora. Dentro da casa, alguns objetos, cartas e obras de Neruda ajudam a contar a história do poeta. Recomendada principalmente para os mais apaixonados pela vida e obra do autor chileno.

Quem preferir pode aproveitar somente a parte externa da casa (gratuita) com seus belos jardins, o mirante Neruda e até um café bem charmoso que fica logo na entrada. Além de uma das vistas mais lindas de Valparaíso, a própria arquitetura da casa é talvez um dos maiores atrativos do lugar. É possível visitar ainda um pequeno hall inicial com algumas ilustrações e obras do Neruda que é aberto ao público.

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Na rua bem em frente a casa acontece uma feirinha de artesanato, mas não vimos nada de muito interessante. Não aconselho a perder muito tempo ali.

Na sequência, voltamos para o ônibus rumo ao Cerro Artillería, um dos mais antigos da cidade, onde faríamos o passeio no famoso ascensor.

Ascensor Artillería

Subimos o Cerro Artillería no próprio ônibus da excursão. O Cerro Artillería é considerado o de melhor vista da cidade, e comprovamos isso assim que chegamos: com a ajuda de um céu bem azul, a vista era realmente incrível.

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A ideia era almoçar por lá, e nesse momento veio a primeira bola fora da Rod Tour: a guia indicou a todos comerem no restaurante “Calfulafquen”. Por sorte, eu já tinha lido referências de que os restaurantes indicados pela Rod Tour eram horríveis, e decidi pesquisar sobre o tal do Calfulafquen. Não deu outra: avaliações péssimas! Botamos o chip de internet pra funcionar na procura de um restaurante melhor avaliado, e achamos o restaurante Polanco Cuatro Vientos, que ficava há uns 50 metros de distância. Um casarão antigo com uma vista inacreditável.

Foi simplesmente a melhor refeição que fizemos em toda a viagem ao Chile.  Atendimento excelente (a atendente, apesar de aparentar ser nova na casa, era super atenciosa e tentava nos ajudar ao máximo), uma entradinha por conta da casa, pratos principais sofisticados mas servidos em boa quantidade, e a vista espetacular que já mencionei. Comemos 2 pratos de peixe que estavam bem frescos, preparados com uma série de ingredientes que eu nunca havia experimentado na vida mas que ficaram perfeitos na combinação do prato. Isso é tudo que se espera de uma experiência de viagem, né? 🙂

Ao final a conta ficou por volta de 20000 pesos chilenos (o equivalente a +-R$100), bem justo para a qualidade do que foi oferecido.

A seguir, era hora de descer pelo ascensor Artillería, um dos mais antigos ainda em funcionamento na cidade (sua construção iniciou-se em 1893). O preço para utilização é meramente simbólico (300 pesos, o equivalente a R$1,50). O passeio dura pouco mais de 1 minuto. Pela janela é possível observar por outros ângulos a belíssima vista do porto de Valparaíso.

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Lá embaixo, aguardamos mais alguns minutos até que todos os participantes do tour chegassem e seguimos de ônibus a caminho da Viña del Mar e seu mar do Pacífico.

Viña del Mar: Relógio das Flores e chegada a cidade

No caminho para Viña del Mar, vale uma parada rápida para conhecer o famoso Relógio das Flores, que fica meio que na avenida que liga as 2 cidades (é tão pertinho que não dá pra saber direito onde termina uma e onde começa a outra). Uma parada de 15 minutos é suficiente pra conhecer o relógio e tirar fotos.

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Casino de Viña del Mar

Já em Viña del Mar, O Casino Enjoy Viña del Mar é uma das primeiras “atrações” que pode ser visitada. Para quem não sabe, em Viña o jogo é liberado. Como a gente não curte muito, passamos só por fora para conhecer, e de lá fomos diretamente para a praia de Viña del Mar.

A praia e o mar do pacífico

Pra quem mora em países com praias belíssimas como o Brasil, a praia de Viña del Mar não é nada demais. É pequena, com pouca areia, muita pedra e um mar bastante gelado. No nosso caso, o que tornou interessante foi a ideia de molhar os pés em um outro oceano, o Pacífico, e olhar um pouco a arquitetura dos prédios da orla, as pessoas, os carros, um pouco do estilo de vida dos habitantes da cidade. Cerca de 20 minutos é tempo suficiente para molhar os pés no mar, dar uma breve caminhada pela orla e fazer seu “check in” no mar do Pacífico.

Museo Fonck e o Moai

A próxima parada é o Museo Fonck. Não por conta do Museu em si, que estava até fechado. Mas pela grande atração que fica do lado de fora, nos jardins do museu: um Moai legítimo da Ilha de Páscoa (existem apenas 3 Moais em todo o mundo que podem ser vistos fora da ilha). O Moai de Viña tem cerca de 3m de altura e fica ao ar livre, pra todo mundo que quiser olhar e tirar fotos. Reserve de 10 a 15 minutos para a atração.

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Quinta Vergara: Festival de Musica de Viña Del Mar

A última parada antes de se despedir de Valparaíso e Viña del Mar é a Quinta Vergara. Nesse parque todo ano é realizado em fevereiro o Festival Internacional da Canção de Viña del Mar. O evento acontece desde 1960, e é considerado o maior evento de música da América Latina(!). O curioso é que pouco se ouve falar do evento aqui no Brasil, mas nos demais países latinos ele é realmente famosíssimo!  Nessas horas percebemos como o Brasil é pouco integrado aos demais países latino-americanos.

A Quinta, assim como o espaço onde acontece o festival, tem um clima bem tranquilo e agradável, com muitos locais aproveitando pra praticar esportes. Meia hora é suficiente para conhecer o básico, mas para quem tem mais tempo pela cidade, vale dedicar mais alguns minutos (ou horas) pra caminhar e conhecer melhor todo o parque.

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Ao final da visita já eram cerca de 18:00, hora de retornar para a rodoviária de Valparaíso e pegar o ônibus de volta a Santiago. Ao todo ficamos nas 2 cidades por cerca de 6 horas, tempo que pro nosso nível de interesse foi surpreendentemente satisfatório. No final, dá até pra dizer que tivemos uma boa experiência com a empresa de turismo. 🙂

Ah, outra coisa que percebemos é que muitos blogs diziam que era tranquilo ir por conta própria. Pela experiência que tivemos não pareceu ser muito simples fazer as coisas dessa forma. Valparaíso inteira é composta por ladeiras, as coisas ficam distantes e o transporte público nessas regiões é bem precário, praticamente inexistente. Viña del Mar pareceu ser bem mais fácil de fazer um roteiro por conta própria. Para quem realmente quiser fazer Valparaíso e Viña del Mar em 1 dia totalmente por conta própria, será preciso planejar tudo muito bem ou não vai dar tempo.

Ainda está na dúvida sobre ir ou não ir a Valparaíso e Viña del Mar, ou quanto tempo vale dedicar a esse passeio? A gente resume pra você:

Valparaíso e Viña del Mar em 1 dia: Vale a pena?

Depois de ter ido e conhecido Valparaíso e Viña del Mar, entendemos o porque dessa questão ser tão controversa. Para ir direto ao ponto, a resposta é: SIM, valeu a pena conhecer Valparaíso e Viña del Mar em um só dia – mas com ressalvas. Certo é que nós jamais arriscaríamos comprar em cima da hora novamente. O ideal é ir com o passeio comprado com antecedência, como esse aqui da Get Your Guide.

Por que IR a Valparaiso e Viña del Mar em 1 dia?

– Porque é tempo suficiente para conhecer os principais pontos da cidade para o turista padrão;
– Porque você economiza tempo e dinheiro para o restante da viagem (a estadia nas 2 cidades turísticas é bem mais cara do que em Santiago);
– Porque para viagens de 1 semana ou menos pelo Chile, existem outros locais mais interessantes para dedicar mais tempo da viagem.

Por que FICAR em Valparaiso e Viña del Mar por mais dias?

– Porque pra caminhar pelas ruas da cidade e se sentir minimamente como um local, você precisa passar pelo menos 2 dias na cidade;
– Para aproveitar a noite em uma das cidade (ou nas 2), o que não é possível em um passeio de bate e volta.

Por que NÃO IR a Valparaiso e Viña del Mar?

– Porque apesar de ser um passeio interessante, não tem nada de tão incrível assim (em diversos locais do Brasil existem ladeiras igualmente interessantes e praias infinitamente mais bonitas);
– Porque mesmo fazendo do jeito mais barato possível, não vai ser um passeio barato (além de serem cidades turísticas, o que já encarece tudo, você precisa gastar muito com transporte para se locomover pelas ladeiras de Valparaíso).

Como comprar o passeio de 1 dia para Valparaíso e Viña del Mar

Para evitar esse risco que passamos de ir com uma empresa desconhecida, ou mesmo de não conseguir fazer o passeio, procure contratar com antecedência em sites de empresas confiáveis, como a Get Your Guide.

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Bom, essas foram as nossas impressões sobre as cidades de Valparaíso e Viña del Mar. Concorda? Discorda? Fala aí! 🙂


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Augusto
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